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Na OIT, Patah propõe conferência mundial pela produção e emprego

Coordenador do PSD Movimentos, Ricardo Patah, disse na Organização Internacional do Trabalho, em Genebra, que “não sairemos desta armadilha mundial sacrificando a classe trabalhadora”.

19 de jun de 2013

Ricardo Patah, presidente nacional da UGT (União Geral dos Trabalhadores) e coordenador nacional do PSD Movimentos falou nesta terça-feira, 18, em nome dos trabalhadores brasileiros, na 102ª conferência da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que se realiza em Genebra, na Suíça, entre os dias 5 e 20 deste mês.

Patah fala na OIT: “não sairemos desta grande armadilha mundial sacrificando a classe trabalhadora”.

Durante cinco minutos, Patah denunciou o sistema financeiro mundial como responsável pela atual crise que esmaga os trabalhadores e destrói a produção. Defendeu também que a ONU coordene uma Conferência Mundial pela produção e emprego decente. Por fim, o presidente da UGT advertiu: “Reitero nossa posição de que não sairemos desta grande armadilha mundial sacrificando a classe trabalhadora”. 

Lei a integra do discurso:

 Companheiras e companheiros,

Em nome dos trabalhadores brasileiros, afirmamos que a Conferência da Organização Internacional do Trabalho é o fórum adequado para a promoção do necessário diálogo social de todos os envolvidos – governos, empresários e trabalhadores. Trata-se de construir um caminho para buscar soluções diante da crise financeira e econômica atual. Precisamos criar políticas e ações multilaterais para fazer valer a produção e o trabalho sobre o financismo e garantir o pleno funcionamento da rede de proteção social, construída com o grande esforço de todo o mundo.

A crise não atinge a todos de modo igual e sabemos quem mais sofre com ela: OS TRABALHADORES E OS SETORES PRODUTIVOS.

Nós não aceitamos nenhum retrocesso quanto às conquistas obtidas a duras penas. Não aceitamos também que a crise atual sirva de desculpa para solapar direitos trabalhistas e sociais para resolver os problemas dos criadores da crise.

O momento exige uma alternativa que valorize a produção, o trabalho decente, a rede de proteção social, a qualidade de vida e a transição para uma economia sustentável, com empregos verdes e decentes.

Para tanto, os governos e as instituições multilaterais devem abandonar o receituário único com o qual vem sendo gerenciada a crise, repleto de medidas centradas na austeridade fiscal para os povos e para a economia real.

O resultado desse receituário é mais recessão, mais desemprego, menos renda, menos consumo, menos produção, menos investimento e o aumento do desespero social.

Os criadores da crise, e em especial os do setor financeiro, estão prostrados teoricamente, mas politicamente atuam com enorme desenvoltura para romper impiedosamente os cofres públicos para salvar suas finanças. O resultado dessa ação de rapina é um Estado mínimo para a maioria dos povos e um Estado máximo para uma minoria privilegiada. Entende-se daí porque os rios de dinheiro colocados nas grandes instituições financeiras não reativam as economias em crise, não se transformam em crédito ao produtor ou ao consumidor e porque as economias se mantém estagnadas e o emprego , com um saldo de 27 milhões de desempregados na União Europeia, 19 milhões só na zona do euro.

A saída da crise demanda um conjunto de medidas que estimulem investimentos em infraestrutura, financiamentos para a produção e para áreas sociais estratégicas: educação, qualificação profissional, saúde, saneamento básico e distribuição de renda.

Para isso, apresentamos algumas propostas.

1.                  Por uma Conferência Mundial pela Produção e Pelo Emprego:

Promover, sob a responsabilidade da ONU, uma Conferência Mundial pela Produção e pelo Emprego (CMPE) visando harmonizar os fluxos monetários e financeiros internacionais com as necessidades produtivas e de emprego de todos os países. Seria como uma “Conferência de Bretton Woods da Produção e do Emprego”.

2.                  A Regulação do Capital Financeiro e a Criação da Taxa Tobin

Trabalhadores, governos, setores empresariais produtivos e o setor bancário mundial devem promover a regulação do capital financeiro internacional, canalizando a poupança pública e privada em investimentos produtivos. Somos favoráveis à instituição da taxa Tobin, imposto internacional cobrado em transações financeiras para viabilizar a estabilidade monetária internacional.

3.                 Programas de Apoio ao Trabalho Decente e para um desenvolvimento global sustentável:

Os Estados que receberem apoio financeiro de instituições multilaterais devem ser obrigados a adotar uma Agenda Nacional de Trabalho Decente baseada no pilares consagrados pela OIT e eliminar as distorções nos intercâmbios econômicos entre países.

Caros Senhores, também não nos escapa a flagrante tentativa de alguns setores de minar o modelo histórico do tripartismo da OIT, buscando abrir lacunas textuais e interpretativas nos documentos adotados por este organismo para reduzir a força da representação dos legítimos e exclusivos representantes dos trabalhadores nas questões laborais. Rechaçamos a nomenclatura de “Interlocutores sociais” quando se tratar de questões laborais. Somos organizações sindicais de trabalhadores, e temos a prerrogativa de representar a milhões de trabalhadores em todo o mundo, tanto neste espaço quanto nos espaços nacionais de negociações de políticas trabalhistas.

Por fim, reitero nossa posição de que não sairemos desta GRANDE ARMADILHA MUNDIAL sacrificando a classe trabalhadora. Muito Obrigado.

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