29 de maio de 2013
· entrevista, Gilberto Kassab, PSD
O presidente nacional do PSD e ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, veio a Osasco para participar da filiação de Délbio Teruel ao PSD. Durante o evento, realizado na sede do Diário da Região, Kassab participou de uma entrevista para o programa Bate Papo da TV Cidade, comandado por Vrejhi Sanazar, onde contou um pouco de sua história e seus objetivos para o futuro, que inclui, dentre outras coisas, a candidatura ao governo do estado de São Paulo.
Qual sua história de vida?
Minhas origens estão no Líbano e na Itália. No Líbano, por parte dos meus avós que nasceram lá e uma parte da Itália vindo da minha mãe. Nasci em São Paulo e tenho um orgulho muito grande da minha família, dos meus pais e irmãos. Estudei em um colégio com formação francesa, o Pasteur, e depois ingressei na Universidade de São Paulo, onde fiz os cursos de engenharia civil e economia e, desde cedo, tive uma identidade muito grande com a vida pública e com a política. A primeira oportunidade surgiu no PL, com o Guilherme Afif Domingos à frente do partido, quando ele foi candidato a deputado federal. Eu ainda estava na faculdade e comecei a ajudá-lo, depois eu ainda o ajudei em sua campanha a presidente da República e aí foi um desdobramento natural. Fui vereador em São Paulo, deputado estadual, deputado federal, vice-prefeito e prefeito. Sempre trabalhei partidariamente e hoje tenho a alegria e a honra de ser presidente do meu partido o PSD, que é um partido novo que veio preencher o espaço da renovação na política brasileira que tanto era necessária. Em pouco tempo o partido se tornou grande, sendo o terceiro em alguns lugares e o quarto em outros. Eu diria que politicamente é o quarto partido no país. Nós temos o PT, o PSDB e o PMDB que tem mais musculatura política, mas eu diria que nos aproximamos muito em termos de dimensão do PMDB e do PSDB. O PT é um partido mais estruturado, com a presidente da República. No ano que vem, quando teremos nossa primeira participação nas eleições nacionais e estaduais nós teremos uma possibilidade grande de sairmos das urnas como o segundo partido do país.
O PSD tem uma ligação íntima com Osasco, já que um de seus fundadores é o Lau Alencar. Como avalia a participação dele no partido?
O Lau estava desenvolvendo um trabalho junto a um grupo político e queria fazer um novo partido e no momento em que nós entendemos que deveríamos fazer um novo partido no Brasil, nós entendemos que a sigla PSD era uma sigla adequada. Nesse momento, nós procuramos o Lau, somamos esforços e acabamos juridicamente compondo um processo em que foi possível um trabalho conjunto e o Lau estava conosco assinando a ficha de registro, tendo a inspiração dele como fundador.
Qual o posicionamento do PSD no cenário nacional e estadual?
No cenário estadual nós temos uma orientação dada pela Executiva nacional que recomenda a todos os estados um esforço muito grande para que haja candidatura própria a governador e não é diferente em São Paulo. No cenário nacional temos um processo de consulta junto a todos os diretórios estaduais, mas tudo leva a crer que ao finalizar essa consulta o partido majoritariamente vai manifestar publicamente a preferência por uma aliança com a presidente Dilma Rousseff e sua candidatura a reeleição.
Neste caso, como ficaria sua histórica aliança com o PSDB?
São processos distintos. O partido no âmbito nacional é independente, não estamos atrelados ao governo da presidente Dilma porque os fundadores do partido cada um tenha uma história com relação à eleição de 2010. Eu mesmo apoiei o então candidato José Serra (PSDB), os companheiros da Bahia apoiaram a Dilma, assim como no Rio Grande do Norte. Nós temos um acordo dentro do partido que até o final de 2014 nossa posição dentro do Congresso é de independência, mas também temos um acordo que iremos fazer uma consulta e o que for definido majoritariamente será a posição do partido para as eleições de 2014. A partir daí teremos uma unidade a favor de uma candidatura, que muito possivelmente será a da Dilma e depois em 2015 se tivermos vencido as eleições seremos governo e se tivermos perdido seremos oposição.
Seu nome é ventilado como candidato do partido ao governo do estado. Se isso se confirmar, quais serão suas metas?
Já fui consultado pelos líderes do partido e já disse que caso seja convocado eu aceito a missão e, portanto, vamos aguardar a definição do partido, mas em acontecendo isso é evidente que a nossa posição será a de corresponder à expectativa do eleitor e do cidadão paulista quanto à solução de alguns problemas. O principal dele e o mais agudo é com relação à segurança, isso é notório e voz corrente, é a preocupação de todas as famílias paulistas. Ao lado disso há uma manifestação clara para investimentos expressivos em saúde e educação, que foram minhas prioridades quando estive à frente da prefeitura de São Paulo, onde dobramos os equipamentos de saúde. Em relação a educação nós reformamos todos os equipamentos e construímos mais de 350 novas escolas, 25 CEUs e valorizamos o funcionalismo, mais especialmente o professor e vamos levar essa linha para o governo do estado ao lado de posições muito claras de respeito e fortalecimento das liberdades individuais e de imprensa.
Qual o potencial que o senhor vê no Délbio Teruel e o que ele pode somar ao PSD?
O PSD é um partido novo e, portanto, ainda durante alguns anos viveremos um processo de convidar as lideranças para integrarem o partido. Nós temos aqui no Brasil um prazo de cinco ou seis anos para que um partido possa estar plenamente formado. Não é porque o PSD é grande e não inchado como alguns partidos e em um curto espaço de tempo adquiriu consistência que ele não possa crescer ainda mais. Existe espaço para esse crescimento. A vinda do Délbio faz parte desse processo de crescimento, em conjunto com a vinda de novos líderes que vão passar a conviver com outros lideres dentro do mesmo partido para que a gente possa formatar nosso programa, nossa conduta e o diálogo com a sociedade e com isso ocuparmos nosso espaço com um programa e com diretrizes bem claras.
O Osvaldo e o Délbio tiveram uma relação conturbada durante a última eleição. O senhor não teme que disputas internas possam ocorrer no partido?
A relação de conflitos e divergências na vida pública são normais e ocorrem em cima de temas, propostas e manifestações diferentes. Eu mesmo tive ao longo do meu processo de reeleição um embate com o PT e mesmo assim, hoje, aqui na cidade de São Paulo nós provavelmente caminharemos para uma aliança no plano nacional onde o PT e o PSD juntos irão trabalhar pelo mesmo candidato, que será a presidente Dilma. Portanto, os embates tem que ser olhados pela ótica da circunstância e hoje é uma nova circunstância. O Osvaldo veio junto com o Lau para o partido em um primeiro momento e está fazendo um trabalho extraordinário na Assembleia, representado Osasco e o Délbio é uma renovação que está chegando agora e é evidente que vai somar. Se divergências acontecerem em um partido isso é normal e sempre podem ser conciliadas. Não tenho preocupação com relação ao passado, o importante é que a presença dos dois fortaleça o partido.